O médico pode se recusar a fazer uma cirurgia plástica?

O médico pode se recusar a fazer uma cirurgia plástica?

Quando alguém se interessa em fazer uma cirurgia plástica, o recomendado é que siga alguns primeiros passos: buscar indicações de cirurgiões qualificados e certificados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), pesquisar e informar-se o máximo possível sobre a cirurgia desejada, certificar-se de que as instalações hospitalares onde o procedimento será realizado são bem equipadas e credenciadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A próxima etapa é agendar consultas com os cirurgiões selecionados para, ao final, o(a) optar pelo que considerar melhor.

O que as pessoas, geralmente, não sabem é que os cirurgiões plásticos também possuem sua própria lista de requisitos a serem preenchidos pelos pacientes. Além das condições físicas e de saúde, aspectos psicológicos de candidatos a cirurgias plásticas também são avaliados.

Nesse sentido, existem três principais motivos pelos quais o médico pode se recusar a fazer uma cirurgia plástica.

Motivos pelos quais o médico pode se recusar a fazer uma cirurgia plástica

  1. A motivação do(a) paciente

Às vezes, as pessoas sentem-se impelidas a corrigir imperfeições físicas para conseguir algo que queiram muito, mas o risco de não atingirem os resultados esperados e de ficarem insatisfeitas porque a cirurgia plástica não deu a elas o que desejavam é bastante grande. A cirurgia plástica deve ser feita para atender a desejos pessoais e não às expectativas alheias. O(a) paciente deve ter uma perspectiva realista a respeito dos resultados do procedimento, caso contrário, o médico pode se recusar a fazer uma cirurgia plástica.

  1. Obsessão

Quanto tempo o(a) paciente passa pensando sobre o assunto? Já deixou de sair ou envolver-se em atividades ou relacionamentos para esconder-se? Já fez outras cirurgias plásticas para corrigir o que considerava serem problemas na aparência?

Essas perguntas, apesar de parecerem razoáveis, podem sinalizar a existência de alguma obsessão, em caso de respostas afirmativas. Pessoas que buscam adquirir, incessantemente, uma imagem ideal e vivem sob constante angústia por causa de sua aparência física podem estar sofrendo de uma doença chamada transtorno dismórfico corporal. Neste caso, um acompanhamento psicológico é indicado e a realização da cirurgia plástica pode não ser a melhor resposta para o problema.

  1. Insegurança

É preciso muita reflexão e consideração antes de decidir realizar uma cirurgia plástica, principalmente para entender quais são, realmente, os principais objetivos do(a) paciente. Quando a pessoa chega ao consultório com desejos não muito bem definidos (ou, ao contrário, quando tem certeza de que atingirá resultados muito específicos, como obter o mesmo nariz de uma celebridade), esse pode ser um sinal de alerta. Em algumas cirurgias, a principal fonte de insatisfação se deve a expectativas irreais.

Em um artigo chamado A responsabilidade civil do médico cirurgião plástico, o advogado Aislan de Souza escreve que, ao contrário de outros tipos de cirurgia, na maior parte dos procedimentos da cirurgia plástica, não existe uma enfermidade, apenas um paciente saudável insatisfeito com alguma característica física.

Nesse caso, o médico se compromete, por meio de contrato de prestação de serviço, a alcançar o resultado desejado pelo paciente. Por isso, na impossibilidade de esse resultado ser alcançado, o médico deve informar ao paciente e negar-se a realizar a intervenção cirúrgica, para que não haja violação do Código de Ética Médica.

 

 

Fonte- SBCP- Santa Catarina


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